Condições adversas na situação de trabalho, considerando aspectos físicos, biológicos, psíquicos e organizacionais, constituem fatores de risco para o desenvolvimento de alterações no sistema musculoesquelético. Neste sentido, a exposição a tais riscos no local de trabalho atinge diretamente a saúde do trabalhador, favorecendo o aparecimento dos Distúrbios Ósteomusculares relacionados ao Trabalho (DORT), um dos problemas com maior incidência no mundo todo.
O DORT é caracterizado por desordens neuromusculoesqueléticas originadas pela atividade ocupacional que pode afetar qualquer estrutura anatômica nos diversos segmentos corporais. Tais alterações podem progredir de quadros crônicos à perda funcional, o que implica em prejuízos para o indivíduo e a sociedade em geral.
Considerando os profissionais de saúde, a equipe de enfermagem constitui o maior contingente da força de trabalho dos estabelecimentos hospitalares, com responsabilidade pela assistência e gestão durante 24 horas. Ainda, é o conjunto de trabalhadores que mais sofre com as inadequações das condições de trabalho e insalubridade do ambiente.
O trabalho de enfermagem não é apenas perigoso e insalubre, ele é também árduo, pois a complexidade das tarefas, imprevisibilidade, atos fracionados e cheios de interrupções, presença permanentemente exigida, trabalho noturno, confrontação com o sofrimento e a morte etc., constituem alguns dos fatores fatigantes no trabalho de enfermagem, decorrentes dos elementos envolvidos na carga de trabalho, correspondendo esta ao dispêndio físico e ao conjunto de capacidades (físicas, sensoriais, psicomotoras, psicológicas e cognitivas) que a pessoa investe na execução da tarefa.
O enfermeiro, sendo um profissional da saúde, deve atuar em todos os níveis de atenção, entre eles a “Promoção da Saúde”, evidenciando em suas ações o papel de educador; nesse contexto, temos a “Saúde do Trabalhador”, cujo objetivo é a prevenção do aparecimento e agravos dos distúrbios osteomusculares. A atuação nessa área exige uma abordagem multidisciplinar tendo como referencial teórico os conhecimentos da Ergonomia.
Dentre as competências do enfermeiro, tem-se a elaboração e implantação de programas e ações educativas e assistenciais para a promoção da saúde e prevenção de doenças e acidentes relacionados ao trabalho. Inclui também requerer junto aos gestores da instituição, a aquisição de equipamentos auxiliares, como por exemplo o elevador, o qual auxilia a equipe na transferência do cliente/paciente da cama para a cadeira, na mudança de posição na cama, na troca de roupa de cama em indivíduos impossibilitados de colaboração; além disso, representa uma maneira segura e confortável de movimentação para o cliente/paciente.
Diante do exposto, enfatiza-se a necessidade de implantação de estratégias de prevenção direcionadas a uma abordagem ergonômica tais como: treinamento dos profissionais sobre movimentação e transporte de pacientes, utilização de equipamentos auxiliares, revisão de aspectos organizacionais do trabalho, adoção de pausas durante a jornada de trabalho e realização de exercícios físicos compensatórios. Tais ações podem não eliminar completamente o problema destes profissionais, todavia corroboram para as melhorias nas condições de trabalho e, conseqüentemente, para a melhora na qualidade de vida dos profissionais da equipe de enfermagem.
Andréia Grigoleto e Fernanda Gimenes são docentes do curso de Enfermagem da Unicastelo campus Descalvado. Rosemary Oliveira ministra aulas no curso de Fisioterapia. Participaram do texto, as egressas Ariane Córdoba e Laís Aparecida Rocha.
Texto embasado no Trabalho de Conclusão de Curso “Atividades ocupacionais da equipe de enfermagem: fatores de risco para DORT, 2009”.